Kombucha: Benefícios, Como Fazer e Como Tomar

A partir da fermentação do chá preto ou verde, se obtém um probiótico chamado Kombucha, ou Kombutchá.

A bebida, que se tornou sensação nas lojas de produtos naturais, é uma receita milenar chinesa, datada de 221 a.C. e há referencias até mesmo bíblicas de seu consumo.

No ocidente, o Kombucha ganhou fama nas décadas de 1960 e 1970, com o movimento hippie, e voltou com força devido a onda naturalista e vegana dos últimos anos. Só em 2015, a bebida movimentou, sozinha, mais de 600 milhões de dólares pelo mundo.

O que é?

O Kombucha, assim como o Kefir e o Iogurte, vem da fermentação promovida por uma colônia de microrganismos benéficos, a maioria sendo bactérias probióticas.

No caso específico do Kombucha, a bebida base é o chá preto, também substituído pelo chá verde ou chá mate. O chá escolhido deve ser adoçado, preferencialmente com açúcar branco ou cristal.

Depois de pronto, o Kombucha se torna uma bebida naturalmente refrescante, com inúmeros benefícios a saúde e uma extensa lista de componentes, tais quais minerais, aminoácidos e praticamente toda a família das vitaminas B.

Kombucha. O que é, benefícios e como tomar.

Benefícios do Kombucha

Digestão

O Kombucha, como outros líquidos probióticos, favorece o equilíbrio da flora intestinal, conhecida como “bactérias do bem”.

Essas bactérias são parte essencial do organismo humano, pois ajudam a digerir alimentos e competem com as bactérias nocivas, diminuindo agentes agressivos responsáveis pelas gastroenterites e diarreias.

Além disso, a presença de enzimas provenientes da bebida, vão ajudar o processo digestivo a ser menos exaustivo, combatendo a azia e o mal-estar, e ter efeito detox, desintoxicando o organismo depois de exageros gastronômicos.

Efeito antibiótico

A bactéria que mais afeta a humanidade atualmente se chama H.pilory. Quase 80% da população mundial está infectada por ela, que se aloja no estomago e intestino e é responsável pela maioria dos casos de gastrite e úlceras digestivas. Silenciosa, normalmente seu tratamento consiste em altas doses de antibiótico, porém seu diagnóstico definitivo se dá apenas por exame de endoscopia.

Uma pesquisa sueca de 2010 acendeu a luz que o Kombucha poderia ajudar a combater o H. pilory. Desde então, diversos pesquisadores confirmaram que o uso regular da Kombucha estava de fato ligado a redução das úlceras, diminuição ou desaparecimento dos sintomas da gastrite e a uma maior efetividade do tratamento convencional.

Sistema Imunológico

Cientistas ainda não chegaram à conclusão se é o efeito antibiótico ou antioxidante do Kombucha o grande responsável pela melhora imunológica, mas já é fato que o Kombucha possui em sua composição um antioxidante chamado DSL, que combate radicais livres responsáveis pelo envelhecimento e câncer.

Em comparação, o chá preto antes da fermentação possui outros antioxidantes, mas o DSL não está entre eles. Associado as altas doses de vitamina C, se tem base suficiente para acreditar que o Kombucha seja melhor no combate a doenças inflamatórias, depressão e danos celulares que seu chá base sozinho.

Vitaminas do complexo B

As vitaminas da família B, em especial a B12, são a grande preocupação nas dietas vegetariana e vegana. Isso porque são vitaminas obtidas a partir da alimentação, sem as quais o corpo humano não consegue produzir direito sangue ou sintetizar corretamente o DNA.

Infelizmente, porém, a vitamina B12 normalmente só é obtida de fontes como a carne, o leite e os ovos. Isso leva a suplementação obrigatória nas dietas restritivas a produtos de origem animal, o que acaba incomodando tanto seus adeptos quanto médicos e nutricionistas.

O Kombucha sozinho não é capaz de suprir totalmente a necessidade dessa vitamina, mas meio litro da bebida tem 20% da necessidade diária de B12, sendo um dos raríssimos alimentos veganos com essa propriedade.

Energia

O chá preto, assim como os chás verde e mate, são ricos em cafeína e ferro. Porém, normalmente o ferro presente não está num estado natural bom para sua absorção pelo corpo humano.

Ao se fermentar o chá para fazer o Kombucha, porém, esse ferro é liberado para o meio. Ao ser ingerido, o ferro irá auxiliar o transporte de oxigênio pelos diferentes tecidos, promovendo maior energia (e acelerando o emagrecimento).

Proteção das Articulações

A saúde das articulações depende da integridade do colágeno presente nelas. O Kombucha é rico em glicosaminas, que ajudam o colágeno a se recuperar de lesões, e auxilia na formação do ácido hialurônico, o líquido que faz com os ossos deslizem um sobre o outro sem atrito.

Com essas duas substâncias intactas, não há o aparecimento de dores articulares e nem o desgaste das mesmas.

Benefícios em estudo

Impulsionados pelas descobertas acima e levando em conta a história, que nos diz que o Kombucha era utilizado principalmente como remédio na China Antiga, diversos estudos têm surgido procurando quais outros benefícios a bebida pode esconder. Entre os mais promissores, temos:

  • Combate a dor de cabeça, inclusive alguns tipos de enxaqueca
  • Combate as dores menstruais
  • Prevenção e controle do diabetes
  • Auxílio ao funcionamento do fígado no seu estado normal e auxílio a desintoxicação dos mesmo após consumo de remédios e álcool.  
  • Normalização da pressão arterial
  • Equilíbrio do pH sanguíneo
  • Diminuição dos sintomas da menopausa
  • Prevenção de infecções urinárias

Contraindicações do Kombucha

Álcool

O Kombucha tem uma particularidade que seus alimentos similares não têm: a formação de álcool.

Como depende da colônia de bactérias utilizadas, o tempo de fermentação e o chá base, é importante lembrar que um Kombucha não é igual a outro. Isso significa que alguns Kombuchas serão mais ou menos alcoólicos; muitos nem mesmo são considerados como uma bebida alcoólica, pois na maioria o percentual de álcool ficará entre 0,5 e 1%, o que não é suficiente para ser levado em consideração em quase todos os países.

Porém, esse é um fator importante de ser considerado em alguns casos, principalmente se o Kombucha for comprado industrializado.

Muitos lugares têm Kombuchas propositalmente alcoólicos, para serem usadas como drinks, e é moda utilizar a bebida com o propósito de ficar embriagado – o que totalmente desaconselhado.

Na dúvida, alcoólatras em recuperação e pessoas que utilizam remédios tarja preta não devem consumir de maneira alguma o probiótico.

Mau funcionamento do fígado

É verdade que o Kombucha pode auxiliar o fígado e mesmo ajudar a recuperar o órgão após danos leves. Porém pessoas com problemas hepáticos graves devem se manter longe da bebida.

Isso não só pelo percentual natural de álcool, mas também porque ao promover a desintoxicação do organismo, o Kombucha vai exigir que o fígado filtre mais toxinas num período menor de tempo.

Para um organismo saudável, isso significa menor dano. Porém, para o organismo doente, isso pode significar uma passagem para o hospital.

Grávidas e Lactantes

Não existe uma contraindicação formal para grávidas, mas muitos obstetras não gostam que suas pacientes usem produtos feitos a partir de microrganismos, que podem ter sido expostos a contaminação.

O excesso de nutrientes também pode ser prejudicial para o bebê, e nenhum benefício foi encontrado no uso durante a gestação.

Para mães que estão amamentando, já se sabe que o Kombucha pode ter efeito laxativo no organismo do recém-nascido e mesmo desencadear processos alérgenos ou de intolerância ao leite materno.

Quem amamenta crianças maiores, de 1 a 2 anos, deve pedir auxílio do pediatra.

Crianças

Crianças pequenas tem organismos imaturos. Ainda que seja bom apresentar uma variedade de novos alimentos a elas, toda introdução deve ser feita com cuidado.

O organismo infantil não tem a mesma necessidade de nutrientes e desintoxicação que os adultos, e por isso o Kombucha deve ser evitado ou bastante diluído antes de ser oferecido a menores de 6 a 10 anos.

Como fazer Kombucha

Atualmente, o Kombucha pode ser comprado pronto ou feito em casa. Os comprados prontos em geral têm mais opções de sabores e tem o fator praticidade ao lado, porém seu preço ainda é bastante elevado no país.

Não é comum acharmos Kombuchas pasteurizados no Brasil, e eles não devem mesmo ser consumidos, pois todos os seus benefícios são perdidos no processo de pasteurização.

Já os feitos em casa dão mais trabalho, mas é possível regular a quantidade de álcool final, o sabor e são mais frescos. As principais dificuldades são manter a higiene rígida e conseguir a colônia inicial.

SCOBY

SCOBY é o nome que recebe a colônia de microrganismos que dará origem o Kombucha. Ele também pode ser chamado de Kombucha mãe e deve ter a aparência de uma massa de panqueca gelatinosa.

O SCOBY é obtido a partir de doações, na maioria das vezes, e existem várias comunidades disponíveis da internet, a maioria cursando também com doações de Kefir.

Alguns lugares já até mesmo vendem o SCOBY e vale perguntar em lojas de produtos naturais se existe a colônia disponível.

O SCOBY deve ser guardado em uma pequena quantidade de chá já fermentado, chamado starter, em algum lugar fresco e seguro.

– Primeira fermentação

. 5g de chá preto

. 1L de água

. 100ml do Starter

. SCOBY

. 50g de açúcar

Também é importante ter separado um vidro grande, uma garrafa pet e algo para tampar o pote da fermentação (tecido leve ou plástico filme com furos).

Primeiro se faz o chá, colocando o chá preto em água fervente por pelo menos 5 minutos. Com o chá pronto, se coa o mesmo e adoça, mexendo bem até todo o açúcar dissolver.

Espera-se o chá esfriar (temperatura ambiente a morno) e adiciona o SCOBY com um pouco do starter. Tampa-se o pote de vidro com algo leve e se deixa esse líquido repousar em um lugar escuro e fresco de uma semana até 21 dias.

Quando mais tempo de repouso, mais doce será o Kombucha final. Porém, para garantir o paladar adequado, é importante provar diariamente depois do sétimo dia.

– Segunda fermentação

Depois que a primeira fermentação estiver pronta, se separa um pouco do novo Kombucha para servir como o próximo starter. Cada fermentação vai gerar um novo SCOBY, e é importante que eles fiquem separados, cada um com seu starter.

O resto do chá fermentado pode ser coado e guardado. Ele pode também ter seu sabor alterado com sucos de fruta, fruta in natura, cravo, canela e outras especiarias.

Essa bebida deve ser guardada na garrafa pet por mais cerca de dois a cinco dias, o suficiente para gerar gás e deixar a garrafa pet dura, como uma garrafa de refrigerante. É aconselhado jamais utilizar garrafas de vidro nessa segunda etapa, pois a mesma pode explodir ou quebrar.

Como tomar

Normalmente, após a segunda fermentação completa, se deixa o Kombucha na geladeira, pois seu gosto fica melhor e mais refrescante gelado.

O Kombucha pode ser consumido misturado com sucos, vitaminas, iogurtes ou mesmo puro, e a única regra é jamais deixar a bebida destampada para não atrair moscas e outros insetos.

O sabor vai depender principalmente do que foi colocado nela depois da primeira fermentação, e não há limite para o número de ingredientes ou a mistura feita. O importante é não consumir mais de 300ml por dia e evitar tomar antes de dormir, pela quantidade de cafeína presente.

O SCOBY também pode ser utilizado para fazer máscaras faciais e hidratantes, e existem algumas receitas de doce que utilizam tanto o SCOBY quanto o Kombucha na sua composição.

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