Doenças Reemergentes: Por que algumas enfermidades erradicadas estão reaparecendo no Brasil?

Entenda quais os motivos que fazem com que doenças controladas voltem a se manifestar em algumas regiões.

Sem dúvidas, um dos maiores avanços – se não o maior – da área da saúde é a vacinação.

As vacinas consistem na proteção do organismo através da formação de resistência aos agentes infecciosos e bacterianos que podem o atingir. São compostas por substâncias e microrganismos inativados ou enfraquecidos que são introduzidos no organismo para despertar a reação do sistema imunológico quando entrar em contato com um agente causador de doenças.

No Brasil, estamos entre os países mais avançados em pesquisas e desenvolvimentos de vacinas e, graças a isso mais o alto índice de imunização da população, doenças que há algumas décadas registravam números preocupantes de óbitos (principalmente em crianças) estão erradicadas – alguns exemplos delas são a coqueluche, meningite, sarampo, hepatite, tuberculose e até a dengue. “Reemergente” é o termo usado para classificar essas doenças que ressurgiram em surtos ou epidemias.

Exames em laboratórios de análises clínicas podem identificar a manifestações de algumas doenças.

Mas como e por quais motivos uma doença já controlada volta a se manifestar?

São várias as causas que podem facilitar o reaparecimento dessas doenças. A falta de saneamento básico, por exemplo, contribui para a proliferação de hospedeiros onde os vírus e bactérias se reproduzem.

Nos casos dos países que recebem indivíduos refugiados, é necessário ter um controle de epidemia, já que não existe nada que realmente comprove quem foi ou não vacinado em seu país de origem.

A movimentação de pessoas entre países também pode ser um problema porque é uma forma dessas doenças atravessarem fronteiras. Fatores ambientais, como o desequilíbrio ecológico de algumas áreas, e a mutação de microrganismos são mais alguns motivos que podem aumentar o número de casos.

Ocorrências recentes

No último mês, casos de sarampo (uma das doenças já erradicadas no Brasil) voltaram a preocupar as autoridades de saúde. De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), atualmente existem 11 países com casos confirmados da doença.

A Venezuela foi o país mais afetado, com 279 casos. No Brasil, são 46 casos confirmados – uma boa parte devido à migração de venezuelanos. Outros países como Estados Unidos, Colômbia, Canadá e México também registraram casos de sarampo.

O sarampo é uma doença causada por vírus, de fácil disseminação e concentra as principais taxas de mortalidade em crianças menores de cinco anos. Era uma das principais causas de morte no Brasil até o final dos anos 70, dentre as doenças infectocontagiosas. Já na década de 80, com o aumento da cobertura vacinal e melhoria da assistência médica ofertada, houve um declínio no número de mortes.

Como se proteger

A participação da população é imprescindível no combate a essas doenças e a vacinação ainda é a forma mais segura de prevenção contra doenças infectocontagiosas. Ainda assim, existem movimentos anti-vacinas que tentam desconstruir a autoridade médica por meio de notícias baseadas em fatos não comprovados e informações falsas divulgadas em redes sociais.

Por isso, informe-se! Mantenha sua carteira de vacinação em dia e faça a sua parte para combater possíveis ambientes favoráveis ao desenvolvimento de vetores e hospedeiros, responsáveis pela procriação e transporte de vírus e bactérias, como é o caso do mosquito Aedes aegypt, transmissor da dengue e do zika virus.